Em Python your Life, eu disse que não gostava de Java. E realmente não gostava.
Conheci Java no Internet World 1996, no Rio de Janeiro :-) Minha última visita a cidade maravilhosa. Solteiro, com algum dinheiro no bolso… ah… Copacabana e os barzinhos do Rio… putz, lembrei que já em 96 eu deixei o relógio em casa, com medo de assaltos. Mas o Rio é lindo.

Bem, a Sun apresentou o Java e principalmente as diferenças entre o Java e o JavaScript. Eu tinha um pequeno provedor em Manaus e usávamos um servidor Sun. Eu sofria para escrever os programas do provedor em C++, lembro que passei 2 semanas para achar os arquivos binários do GCC para microSparc… viva o Google (naquela época o melhor era o AltaVista). O Java era grátis e o compilador da Sun custava uns US$3.000,00 (sem os manuais…), me apaixonei por Applets e por um bom tempo Java era só Applets.

Mas para mim, a linguagem nunca fora nada mais que um C++ disfarçado. Eu não tinha problemas com ponteiros, até achava normal trabalhar com eles e ter seg faults aqui e ali :-)
O problema é que na época eu não via nada além disso. Por que fazer algo em Java se eu já tinha minhas bibliotecas em C e C++? Não era tão claro para mim as vantagens de ser multiplaforma. E Java 1.0 ninguém esquece… No Windows, eu tinha o Delphi e no Linux tinha também o C/C++, era só recompilar. Para mim, o Java ficou sendo uma forma legal de enriquecer home pages com applets ou de deixar meus CGIs mais lentos que em C/C++.

O tempo passou e a linguagem Java se popularizou. EJB, Java 2, Hibernate e Tomcat foram aparecendo. Mas nesta época eu já não estava mais programando e sim gerenciando. Perdi o desenvolvimento do Java.

Só considerei Java seriamente no Desktop depois de ver o Eclipse e sua biblioteca.
Depois começamos a fazer programas para um cliente no exterior, usando Java e o BEA. Comecei a gostar, mas realmente fiquei preocupado quanto a produtividade dos programadores, precisava de muito framework para fazer algo funcionar. Programador Java não ganha pouco, graças a Deus :-) Haja máquina e dinheiro com licenças… um estagiário começou a trabalhar com Tomcat e o tigre comeu o pobre rapaz :-) Não foi um recomeço amigável. Nesta época eu comecei a chamar Java de Jaca. Era grande e ninguém conseguia comer sozinho :-)

Ano passado, eu comecei a desenvolver um aplicativo novo para Web, usando Ajax e múltiplos Threads. Adivinhem que linguagem eu escolhi para desenvolver meu pequeno monstro? Java. Fiquei impressionado com as melhorias do Java 5, principalmente com templates e operações com lista. A biblioteca da linguagem também é excelente, fora o Eclipse com seu preço amigável. Criei o servidor e este passa muito bem. Inclusive, migrei alguns utilitários de baixo nível escritos em Visual C++ e .Net para Java. Semana passada instalei o servidor pela primeira vez no Linux e ficou muito bom, não precisei alterar nada. Troquei o banco de dados de MySQL para Firebird 1.5 e depois para o Firebird 2.0. Não precisei mudar quase nada, graças ao Hibernate.
Ok, o servidor usa uns 47 MB de Ram só para ele… mas um pente de 512 MB custa uns €30,00. Eu custo bem mais caro. Entre comprar o pente e perder meus cabelos debugando código reentrante em C++… prefiro comprar o pente :-)

Já estou usando o Java 6, não precisam ficar preocupados.

Assim fiz as pazes com o Java. Desculpas aos pobres coitados que quiseram vender Java para mim antes, dou o braço a torcer. Vocês tinham razão. Mas que era uma Jaca, era.